Manhã normal na Barra.
A CET Rio sabe tirar fotos.
Desânimo. Isso me fez ficar sem postar durante essas semanas.
E pra falar a verdade, continuo sem nenhuma vontade de escrever por enquanto.
Esse negócio de escrever, fazer blog, é muito bonito, mas não resolve. Tem gente muito mais bem informada que eu fazendo isso há muito mais tempo que eu e nada sai do lugar. A intervenção tem que ser mais contundente.
Vou tomar um porre e voltar mais alegre amanhã.
Até agora, essa matéria do Dia é a que mais se aprofunda na questão das brigas entre guias cívicos no Maracanã. E ela ainda vai além, levantando suspeitas sobre uma certa promiscuidade do programa de formação dos guias cívicos com o tráfico de drogas. Não acho impossível que isso tenha acontecido. A gravidade da suspeita exige uma apuração rigorosa, quem sabe objeto de alguma CPI futura.
É como eu já havia falado no meu post anterior sobre o assunto. O Rio de Janeiro está partido e as partes não se integram por milagre. Não adianta achar que a realização de um grande evento esportivo vai resolver problemas inerentes à formação torta da cidade. Isso seria muita ingenuidade e, no caso das nossas autoridades, falta de caráter.
Tudo indica que falta não apenas lisura, mas também seriedade em todos os níveis da organização do Pan.
E eles continuam falando sem saber o que falam. Também, o que esperar de Cesar Maia, nosso maior intelectual político? São essas declarações descompromissadas que melhor deixam transparecer a ideologia maligna da nossa administração municipal atual.
Agora ele manda essa. É do Gazeta Esportiva.Net. Copiei/colei o pedaço mais esclarecedor. Tá certo, o texto não deixa muito claro se nosso Prefeito disse exatamente essas coisas. De qualquer maneira, o trecho dá o tom exato da política social dos governos Cesar Maia e seus partidários do DEMO.
Segundo o prefeito César Maia, os moradores de rua criam uma sensação de insegurança no Rio de Janeiro. Eles serão levados temporariamente a albergues municipais e bairros da periferia pouco freqüentados pelas pessoas que vão acompanhar o Pan.
Segregação. Essa palavra é perfeita para definir as atitudes pré-Pan da Prefeitura. Se o tão anunciado desenvolvimento social prometido para o Rio não chega. Se a pobreza vai continuar a mesma. Se a ralé não vai ser agraciada com os mesmos benefícios que a Zona Sul, mandemos todos esses pobres para longe. Para longe das vistas, já que não dá para mandá-los de uma vez por todas para o inferno.
Cesar Maia e a elite carioca cada vez me dão mais nojo.
Quer saber o que é o Rio de Janeiro e o Carioca?
Para começar a ter uma idéia, leia isso no Globo.
Bem que desconfiei quando passei hoje pelo Maracanã, indo para o trabalho. Havia cercas, carros da prefeitura, guardinhas municipais e muita sujeira, mais do que de costume. Tinha também um certo ar de fim de jogo de futebol, com ânimos um pouco exaltados. Não vi nenhum “civil”, nenhuma pessoa andando e o trânsito estava muito livre até as imediações da CFET. Lá virou um nó difícil de desatar. Sempre embola ali, mas hoje estava muito ruim.
Diz O Globo que no Maracanã aconteceu, com a presença de autoridades como Lula e Sergio Cabral, a formatura dos Guias Cívicos do Pan.
Que maravilha de Guias Cívicos! Muito civilizados.
E os organizadores achando que dá pra fazer algum evento de porte internacional sem antes resolver as fraturas da cidade. No Rio de Janeiro não há união, não há povo, não há gente. A Vila é partida geograficamente e, principalmente, socialmente. Por que ninguém admite esse óbvio?
Começou mal. Vai acabar mal.
Como o link é só para assinantes, fui obrigado a copiar e colar a matéria inteira. É da Folha de São Paulo de hoje. Isso não é muito bonito, eu sei. Mas o texto mostra tão bem algumas das minhas suspeitas e reclamações que não poderia simplesmente falar dele sem mostrar pra todo mundo. Negritos meus.
Pan-07 fica no alvo de Câmara e pode ganhar mais CPIs
Comissão investigará a partir do próximo mês concessão do Riocentro à iniciativa privada, mas vereadora diz que outras virão após encerramento de Jogos
FABIO GRIJÓ
ENVIADO ESPECIAL AO RIO
A Câmara Municipal do Rio analisa a abertura de novas CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) para averiguar os gastos da prefeitura no Pan. Até agora, está certa a investigação, a partir do próximo mês, da concessão do Riocentro à iniciativa privada.
"Demos uma trégua temporária para não atrapalhar o Pan. Qualquer marola, agora, poderia virar um tsunami", diz a vereadora Patrícia Amorim (PSDB), presidente da Comissão de Esportes da Câmara do Rio. "Mas, depois do Pan, outras CPIs virão."
A cidade investiu, até agora, R$ 1,206 bilhão no evento, um valor 405% maior que o previsto no dossiê de candidatura, em 2002 (R$ 239 milhões) para gastos da prefeitura.
O Pan sairia, há cinco anos, por R$ 409 milhões. O custo chegou a R$ 3,2 bilhões, um aumento de 684% bancado pelos governos federal, estadual e municipal. "O que está em jogo é verba pública. Muita coisa saiu sem licitação e isso é sabido por todos, às vezes até sem rubrica orçamentária", afirma Patrícia Amorim. ""Gostaria de saber qual o custo-benefício."
A vereadora cita o Estádio Olímpico João Havelange, no Engenho de Dentro (zona norte), como exemplo a ser investigado. O Engenhão tinha custo inicial de R$ 60 milhões, com previsão de ser inaugurado no fim de 2004. Ainda em obras, o estádio já consumiu R$ 350 milhões da prefeitura. Deve estar pronto no próximo mês. "O Engenhão me causa desconforto pelo valor tão alto", diz Patrícia Amorim, que foi nadadora.
Mesma opinião tem o vereador Stepan Nercessian (PPS), autor do requerimento que deu origem à CPI do Riocentro. "O que está pronto, como o Riocentro e a marina [da Glória], a prefeitura concedeu à iniciativa privada. O que não estava, o município se dispôs a construir, pagou do próprio bolso e nem sabe a quem entregar."
O Riocentro, segundo Nercessian, foi concedido à empresa francesa LG por 50 anos. A CPI pretende investigar o edital de concorrência.
A marina da Glória também foi repassada à iniciativa privada por 50 anos. A Empresa Brasileira de Terraplanagem e Engenharia venceu a licitação. Com a obra no local embargada pela Justiça, a concessão pode ser cancelada pela prefeitura.
Sobre apagão aéreo e mentalidade da elite
Além de embaraçosas, declarações dos organizadores do Pan acabam sendo também muito reveladoras da mentalidade restritiva da elite brasileira.
No meio do apagão aéreo, Carlos Arthur Nuzman, presidente do comitê organizador do Pan, diz para a Folha de São Paulo (só para assinantes) que o caos aéreo é a sua maior preocupação antes do início do evento.
Maior preocupação?!
Inexistência de transporte público, saúde e segurança no Rio de Janeiro são, para Nuzman, preocupações menores? Talvez ele nem se preocupe com isso.
Pega muito mal negligenciar dessa maneira os reais problemas do Rio. Ao dar essa declaração, mais uma vez os organizadores do Pan mostraram que estão ligando muito pouco para a rotina do carioca que não mora na Zona Sul, que tem que se virar para trabalhar e não tem escola para os filhos.
Há décadas eu sofro com o apagão viário e isso nunca foi notícia. Só começam a reclamar quando isso acontece com os aviões e a elite passa a sofrer nos aeroportos o mesmo que eu sofro todos os dias no ponto de ônibus.
Carlos Arthur Nuzman, cala a porra da tua boca.
Uma beleza!
Caso típico de negligência com saneamento básico. Nossos governos estadual e municipal, vivendo ainda o auge da Idade das Trevas, não devem nem sabe o que é isso.
Já estou acostumado. Sou obrigado a passar por pontos de extremo mau cheiro todos os dias para ir e voltar do trabalho. É essa a rotina do inferno onde não existe esgoto tratado e os canais recebem dejetos de todos os tipos e procedências.
Outro dia, com o único intuito de fazer um teste, voltei para casa pela Barra da Tijuca, como há muito não fazia, passando pela Ayrton Senna e a Vila do Pan. Queria saber se o fedor conhecido da área permanecia empestando a redondeza. Vi que tudo em volta dos prédios da Vila do Pan continua a feder muito. Não é surpresa. Basta ver o estado dos canais de Jacarepaguá para saber que eles não poderiam soltar outro cheiro que não o de merda misturada com produtos químicos. Cheguei em casa pensando como dormirão os saudáveis atletas. Umas semanas depois, esqueci o assunto.
Mas hoje vejo isso. É do Estadão.com.
Muito bom! Mau cheiro não dá pra esconder. A reportagem fala ainda de um plano de evacuação que, se necessário, faria a delegação dos Estados Unidos utilizar um dos fétidos canais. Isso sim seria bacana de se ver. Atletas chafurdando na merda que os cariocas sabem muito bem produzir, mas não tratar.
Na página Olho Verde (eu acho), achei essa foto. O texto da legenda é incrível! É só ler para ter idéia do que se respira pelo local.
Criada primeira CPI dos Jogos Pan-Americanos
Manchete do Globo.
Pelo visto não sou o único a esperar muitas outras CPIs por aí. O pedido do vereador Stepan Nercessian já dá o tom do que encontraremos pela frente, nas futuras investigações que o Pan nos promete. Licitações estranhas, concessões suspeitas, bagunça nos verdadeiros interesses públicos poderão ser assuntos relacionados ao Pan nos noticiários esportivos a partir do próximo mês. A desculpa é sempre a mesma: ou corremos com as obras ou não sai Pan-Americano. Nessa pressa, procedimentos básicos de transparência são vergonhosamente ignorados. As perguntas surgem depois da lambança pronta, do bolo dividido, dando origem a uma penca de CPIs que só levantam indignação. Todo mundo já viu isso acontecer.
Mesmo não resolvendo nada, mesmo não coibindo a malvadeza, acho que os próximos meses serão bem movimentados e divertidos.
Veremos.
De um lado uma comunidade de moradores pobres que existe há 46 anos na margem de um canal em Jacarepaguá. Na outra margem, a Vila do Pan com seus 17 prédios. A Prefeitura quer despejar as famílias alegando que elas ocupam uma área de risco de enchente. As indenizações são ridículas, mas não é só esse o caso. A questão levantada pelos moradores em protesto é que, para a Prefeitura, o risco de enchente só existe de um lado do canal. Isso pode até ser verdade, não sei qual é o estado da área ocupada. Mas a enorme pergunta que fica é por que em uma margem a Prefeitura faz investimentos maciços em saneamento na outra ela não faz nada. Ao contrário, ela prefere simplesmente remover os moradores.
Isso é prova mais do que suficiente de que a Cidade nunca foi a verdadeira preocupação desse projeto idiota do Pan. A Prefeitura prefere pagar indenizações baixas e não resolver os mais básicos problemas de infraestrutura sanitária. Enquanto isso gasta mais do que deveria em construções que mais tarde serão subaproveitadas. E ainda tem a cara-de-pau de dizer que o Rio de Janeiro é o principal beneficiado em toda essa história.
Tem mais no JB, na edição eletrônica. A matéria está, se não me engano, na página 15.
A imagem é do Estado de São Paulo, ou melhor, da página do Estadao.com.br.
Mudando um pouco de assunto.
Sexta-feira aconteceu no Odeon a abertura do É Tudo Verdade com a exibição de “Santiago”, novo documentário do João Moreira Salles . Vou deixar o filme pra lá. Bizarro mesmo foi a apresentação. Já fui preparado para encontrar um espetáculo deprimente, mas confesso que não esperava tanto.
Eu, que adoro uma bebida de graça, não consegui nem ficar para o coquetel, tamanho o mal-estar que sentia. Saí completamente desesperançado e assim me encontro até agora. Não mais me enganarei. O evento serviu para enterrar de vez as minhas ilusões e me mostrou que já não há mais salvação para essa vila e para esse País.
Julgando o que foi dito no palco do Odeon antes da exibição do filme, nossos intelectuais, nossos administradores de fundos de cultura públicos e privados, nossos secretários de cultura só têm qualificação mesmo é para trabalhar como atendentes de telemarketing. Falam muito e muito, mas muito mal. Não carregam nenhum traço de ousadia em suas posições, só vomitam o mais enfadonho e retrógrado óbvio. Triste. Cada vez que um figurão abria a boca no palco eu me afundava mais, assombrado, em minha cadeira.
Só senti uma certa tranquilidade quando chamaram Luiz Paulo Conde, nosso atual Secretário Estadual de Cultura, para dizer algumas geniais palavras. Conde mostrou toda a sua decrepitude ideológica e física. Fiquei satisfeito de saber que sua existência incômoda não durará muito.
Deveria ter percebido desde o início que a sessão não seria de graça.
O grande problema não são os Jogos Pan-Americanos em si. Nem essa supervalorização dos esportes, sempre esvaziada de sentido, me incomoda tanto. Afinal, as pessoas têm todo o direito de desperdiçar suas vidas da maneira que acharem melhor. A questão mesmo é a maneira como todo o episódio vem sendo conduzido. Nem vou entrar nos assuntos do legado e da implantação de melhorias úteis para nosso vilarejo. Não faltará oportunidade para voltar a eles. No momento, tenho pensado, o que realmente incomoda é a falta de transparência que envolve todo o processo. Essa é a conduta padrão em qualquer instância governamental no Rio de Janeiro. O carioca é um povo acostumado a aceitar aumentos arbitrários das tarifas de transporte, falta de equipamentos já pagos em hospitais e outras bizarrices do tipo. Mas nem todo mundo se sente confortável com a falta de explicação das esferas governamentais. Nesse estado, nesse vilarejo, tudo é decidido à revelia, escondido. Tudo é imposto. E tem sido assim com a organização do Pan. São valores que se multiplicam, licitações sob suspeita, contratos milionários e pouco retorno para as pessoas que vivem nessa vila. O tal do dossiê, ou brochura, como alguns gostam de falar, já foi comentado em diversos lugares mas não aparece. Procurei na página oficial do Pan 2007 o projeto original apresentado para a candidatura do Rio. Procurei na página da ODEPA. Procurei na página do Comitê Olímpico Brasileiro. Não achei nada. O dossiê não está disponível para nós, mortais habitantes do Rio de Janeiro.
A coisa vai ficando cada vez mais esquisita. Esquisita a ponto de não ser notícia nem no RJ TV.
Esporte não faz bem.
Pesquisa de campo comparando atletas e sedentários confirma:
A probabilidade de um atleta subutilizar a cabeça, causando danos irreversíveis ao cérebro é 4 vezes maior. Isso explica os altos índices de comportamento reacionário entre eles. Muitos até chegam a terminar a carreira na vida pública, nas câmaras estaduais e municipais, defendendo valores retrógrados e espalhando a desesperança.
Ciente desse problema que prejudica milhares de pessoas, lanço a campanha BEBA CACHAÇA. NÃO PRATIQUE ESPORTES.
Espero assim conscientizar meus semelhantes e colocá-los no caminho de uma vida mais interessante e cheia de amigos.
Lembra muito uma gincana de escola essa escolha da cidade sede do Pan. Chega a ser constrangedora a atitude da galera, bem carioca, gritando, pulando, comemorando como se estivessem assistindo a uma pelada. Esse pessoal não me representa e não representa a população do Rio de Janeiro. No vídeo abaixo eles tentam criar um consenso que não existe. É apenas um institucional, e como todo institucional, bem chapa-branca. Mas é vergonhoso ver o entusiasmo fabricado na ocasião dar lugar a essa lambança que é hoje o Pan.
Minha parte preferia é quando o Cesar Maia, usando um capacete de peão, vai mostrar serviço na obra pra dar aquela pinta de administrador competente que se envolve pessoalmente com os interesses do Rio. Enquanto isso o locutor fala em 100 milhões de dólares investidos até 2007. Passou um pouco, né? Também é bacana ver toda a gentalha lá. Além do nosso prefeito, aparecem Rosinha e FHC. O vídeo pelo menos não deixa nenhum deles abrir a boca. Agradecemos por isso.
Ninguém libera R$ 100.000.000,00 de boca fechada. Sempre tem um papinho maroto só de lugares comuns, perfeito para publicação nos nossos heróicos periódicos.
Algumas declarações. Prometo catar mais delas e colocar aqui.
"Quando o Pan sair daqui, ao contrário de muita maledicência que eu já vi e já li, o Rio de Janeiro vai ganhar um patrimônio extraordinário, porque ninguém vai poder carregar as obras nas costas, as obras vão ficar. E é preciso saber como utilizá-las para os clubes que praticam os esportes aqui, e ao mesmo tempo, como a comunidade pode utilizar a Vila Olímpica para o cotidiano da vida desse povo"
Presidente Lula.
"Os Jogos Pan-Americanos podem servir não apenas para que os nossos atletas ganhem medalha, é importante que ganhem, mas a gente não pode ver o esporte apenas como uma questão de medalha, a medalha é conseqüência. Nós temos que ver o esporte no País como uma das possibilidades de a gente ganhar os nossos adolescentes do narcotráfico e do crime organizado”.
Mais do Presidente Lula. Adoro quando misturam esporte e tráfico de drogas. É o assunto preferido dessa galera criativa.
Os negritos, como sempre, são meus. As declarações estão na matéria do UOL Esportes linkada acima.
Itinerário linha especial PAN-07:
ida - estação Metrô Siqueira Campos, rua Siqueira Campos, avenida Atlântica, rua Joaquim Nabuco, avenida Vieira Souto, avenida Delfim Moreira, avenida Niemeyer, estrada da Gávea, auto-estrada Lagoa-Barra, túnel de São Conrado, elevado das Bandeiras, túnel do Joá, avenida Ministro Ivan Lins, avenida Armando Lombardi, avenida das Américas, avenida Ayrton Senna (retorno), terminal Rodoviário Alvorada;
volta - terminal Rodoviário Alvorada, avenida das Américas, avenida Armando Lombardi, avenida Ministro Ivan Lins, túnel do Joá, elevado das Bandeiras, túnel de São Conrado, auto-estrada Lagoa-Barra, rua Princesa Diana de Gales, rua Prefeito Mendes de Morais, avenida Niemeyer, avenida Delfim Moreira, avenida Vieira Souto, rua Francisco Otaviano, avenida Atlântica, rua Figueiredo de Magalhães, estação Metrô Siqueira Campos.
A nova linha faz parte das iniciativas da Prefeitura voltadas para os Jogos Pan-Americanos Rio 2007 e está incluída no Programa de Integração Intermodal, implementado pelo Município em 2003. O programa tem proporcionado economia de custos e redução do tempo de viagem para os usuários. O roteiro de ida e volta inclui a Auto-Estrada Lagoa-Barra e as avenidas Armando Lombardi e das Américas.
Jesus! Do que essa gente está falando?
Integração Intermodal. Nome bonito para designar coisa nenhuma. É como chamam esse negócio de “Metrô na superfície” e outras integrações ônibus-trem e ônibus-metrô. É o que os cariocas aceitam no lugar de um metrô DE superfície ou outro meio de locomoção que realmente resolva a questão do transporte público nesse brejo.
Mais uma vez os negritos são meus.
Declarações interessantes que aparecem na reportagem linkada no post 6.
"Tudo isso [o descompasso entre previsão e resultado] demonstra no mínimo incompetência e, possivelmente, coisa pior".
Diretor-executivo da Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo.
"O político prefere chutar para baixo, e não para cima".
Secretário Municipal de Obras do Rio, Eider Dantas, em dezembro.
"Se alguém no mundo fizer um estádio desses por R$ 60 milhões é porque faz milagres".
Cesar Maia, atual Prefeito do Rio e, segundo a matéria, Prefeito na época da divulgação do orçamento no Diário Oficial do vilarejo que administra.
"Nunca se viu superação de orçamento assim, sem deixar legado para a cidade".
Brizola Neto, vice-presidente da comissão de Turismo e Desporto da Câmara.
Os negritos são meus.
Quando se trata de um projeto grande, é claro que nada pode ser tão rígido e algumas variações nos valores podem ser normais. Normal quer dizer entre 10 e no máximo 20% além de um valor pré-determinado. Mas isso é muito raro de acontecer.
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Por que escrevo isso? Por isso, isso e isso (esses dois últimos só para assinantes). Tem mais, é só procurar nos jornais qualquer notícia relacionada ao Pan. Se não me engano saiu alguma coisa no Globo também.
Como eu falei, é só esperar que as farsas vão aparecendo sozinhas. Copio e colo abaixo a manchete da Folha de São Paulo só para dar uma idéia do absurdo.
Gasto público com o Pan aumenta 684% em 5 anos
Orçado em R$ 409 milhões em 2002, evento já tira R$ 3,2 bi dos cofres oficiais
Maior estouro relativo é o do Estado do Rio, que saltou de R$ 31 milhões para R$ 500 milhões, o que equivale a um aumento de 1.513%
Não tem como explicar, mas vou tentar. Vejam se faz mais sentido do que esses números.
Ninguém em sã consciência poderia aceitar a realização de um evento internacional do porte de um Pan-Americano nesse brejo que é o Rio de Janeiro. Mesmo assim os nossos gananciosos prefeitos e governadores acharam que pegaria bem candidatar o vilarejo. A possibilidade de embolsar enormes quantias de dinheiro também deve ter feito com que as construtoras pressionassem e fizessem lobby a favor da má idéia. Sabendo que carioca é bicho fácil de enganar, resolveram criar uma pequena armação para fazer todo mundo concordar com a realização do Pan aqui. Para isso inventaram um orçamento irreal, mirabolante, muito abaixo do que sabiam que custaria o evento só para não dar na pinta que a proposta é perdulária. Deve ter acontecido mais ou menos como no diálogo hipotético:
Dirigente 1: Esse Pan tem que vir pra cá.
Dirigente 2: Custa caro, a população vai ver que não faz sentido.
Gestor de comitê 1: Então coloca qualquer preço nessa porra. O importante é dar a idéia que tudo vai sair nos conformes.
Presidente de comissão 2: Depois a gente dá um jeito, quando não for mais possível voltar atrás.
Posso estar só delirando.
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Na época que anunciaram a “vitória” do Vilarejo do Rio de Janeiro falaram de coisas como metrô e outras melhorias que poderiam começar a transformar esse brejo em uma cidade. Sobre isso, imediatamente disse as palavras proféticas para minha mãe que, igualmente perplexa, tomava conhecimento das notícias.
“Mãe, escuta o que eu te falo. Nada disso vai acontecer”.
Logo depois me calei para agora, só então, poder ouvir do mundo que mais uma vez o João tinha razão.