quarta-feira, 18 de abril de 2007

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Desânimo. Isso me fez ficar sem postar durante essas semanas.


E pra falar a verdade, continuo sem nenhuma vontade de escrever por enquanto.


Esse negócio de escrever, fazer blog, é muito bonito, mas não resolve. Tem gente muito mais bem informada que eu fazendo isso há muito mais tempo que eu e nada sai do lugar. A intervenção tem que ser mais contundente.


Vou tomar um porre e voltar mais alegre amanhã.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

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Até agora, essa matéria do Dia é a que mais se aprofunda na questão das brigas entre guias cívicos no Maracanã. E ela ainda vai além, levantando suspeitas sobre uma certa promiscuidade do programa de formação dos guias cívicos com o tráfico de drogas. Não acho impossível que isso tenha acontecido. A gravidade da suspeita exige uma apuração rigorosa, quem sabe objeto de alguma CPI futura.



É como eu já havia falado no meu post anterior sobre o assunto. O Rio de Janeiro está partido e as partes não se integram por milagre. Não adianta achar que a realização de um grande evento esportivo vai resolver problemas inerentes à formação torta da cidade. Isso seria muita ingenuidade e, no caso das nossas autoridades, falta de caráter.


Tudo indica que falta não apenas lisura, mas também seriedade em todos os níveis da organização do Pan.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

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E eles continuam falando sem saber o que falam. Também, o que esperar de Cesar Maia, nosso maior intelectual político? São essas declarações descompromissadas que melhor deixam transparecer a ideologia maligna da nossa administração municipal atual.


Agora ele manda essa. É do Gazeta Esportiva.Net. Copiei/colei o pedaço mais esclarecedor. Tá certo, o texto não deixa muito claro se nosso Prefeito disse exatamente essas coisas. De qualquer maneira, o trecho dá o tom exato da política social dos governos Cesar Maia e seus partidários do DEMO.


Segundo o prefeito César Maia, os moradores de rua criam uma sensação de insegurança no Rio de Janeiro. Eles serão levados temporariamente a albergues municipais e bairros da periferia pouco freqüentados pelas pessoas que vão acompanhar o Pan.


Segregação. Essa palavra é perfeita para definir as atitudes pré-Pan da Prefeitura. Se o tão anunciado desenvolvimento social prometido para o Rio não chega. Se a pobreza vai continuar a mesma. Se a ralé não vai ser agraciada com os mesmos benefícios que a Zona Sul, mandemos todos esses pobres para longe. Para longe das vistas, já que não dá para mandá-los de uma vez por todas para o inferno.


Cesar Maia e a elite carioca cada vez me dão mais nojo.

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Quer saber o que é o Rio de Janeiro e o Carioca?


Para começar a ter uma idéia, leia isso no Globo.


Bem que desconfiei quando passei hoje pelo Maracanã, indo para o trabalho. Havia cercas, carros da prefeitura, guardinhas municipais e muita sujeira, mais do que de costume. Tinha também um certo ar de fim de jogo de futebol, com ânimos um pouco exaltados. Não vi nenhum “civil”, nenhuma pessoa andando e o trânsito estava muito livre até as imediações da CFET. Lá virou um nó difícil de desatar. Sempre embola ali, mas hoje estava muito ruim.


Diz O Globo que no Maracanã aconteceu, com a presença de autoridades como Lula e Sergio Cabral, a formatura dos Guias Cívicos do Pan.


Que maravilha de Guias Cívicos! Muito civilizados.


E os organizadores achando que dá pra fazer algum evento de porte internacional sem antes resolver as fraturas da cidade. No Rio de Janeiro não há união, não há povo, não há gente. A Vila é partida geograficamente e, principalmente, socialmente. Por que ninguém admite esse óbvio?


Começou mal. Vai acabar mal.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

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Como o link é só para assinantes, fui obrigado a copiar e colar a matéria inteira. É da Folha de São Paulo de hoje. Isso não é muito bonito, eu sei. Mas o texto mostra tão bem algumas das minhas suspeitas e reclamações que não poderia simplesmente falar dele sem mostrar pra todo mundo. Negritos meus.

Pan-07 fica no alvo de Câmara e pode ganhar mais CPIs

Comissão investigará a partir do próximo mês concessão do Riocentro à iniciativa privada, mas vereadora diz que outras virão após encerramento de Jogos

FABIO GRIJÓ
ENVIADO ESPECIAL AO RIO


A Câmara Municipal do Rio analisa a abertura de novas CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) para averiguar os gastos da prefeitura no Pan. Até agora, está certa a investigação, a partir do próximo mês, da concessão do Riocentro à iniciativa privada.
"Demos uma trégua temporária para não atrapalhar o Pan. Qualquer marola, agora, poderia virar um tsunami", diz a vereadora Patrícia Amorim (PSDB), presidente da Comissão de Esportes da Câmara do Rio. "Mas, depois do Pan, outras CPIs virão."
A cidade investiu, até agora, R$ 1,206 bilhão no evento, um valor 405% maior que o previsto no dossiê de candidatura, em 2002 (R$ 239 milhões) para gastos da prefeitura.
O Pan sairia, há cinco anos, por R$ 409 milhões. O custo chegou a R$ 3,2 bilhões, um aumento de 684% bancado pelos governos federal, estadual e municipal. "O que está em jogo é verba pública. Muita coisa saiu sem licitação e isso é sabido por todos, às vezes até sem rubrica orçamentária", afirma Patrícia Amorim. ""Gostaria de saber qual o custo-benefício."
A vereadora cita o Estádio Olímpico João Havelange, no Engenho de Dentro (zona norte), como exemplo a ser investigado. O Engenhão tinha custo inicial de R$ 60 milhões, com previsão de ser inaugurado no fim de 2004. Ainda em obras, o estádio já consumiu R$ 350 milhões da prefeitura. Deve estar pronto no próximo mês. "O Engenhão me causa desconforto pelo valor tão alto", diz Patrícia Amorim, que foi nadadora.
Mesma opinião tem o vereador Stepan Nercessian (PPS), autor do requerimento que deu origem à CPI do Riocentro. "O que está pronto, como o Riocentro e a marina [da Glória], a prefeitura concedeu à iniciativa privada. O que não estava, o município se dispôs a construir, pagou do próprio bolso e nem sabe a quem entregar."
O Riocentro, segundo Nercessian, foi concedido à empresa francesa LG por 50 anos. A CPI pretende investigar o edital de concorrência.
A marina da Glória também foi repassada à iniciativa privada por 50 anos. A Empresa Brasileira de Terraplanagem e Engenharia venceu a licitação. Com a obra no local embargada pela Justiça, a concessão pode ser cancelada pela prefeitura.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

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Sobre apagão aéreo e mentalidade da elite


Além de embaraçosas, declarações dos organizadores do Pan acabam sendo também muito reveladoras da mentalidade restritiva da elite brasileira.


No meio do apagão aéreo, Carlos Arthur Nuzman, presidente do comitê organizador do Pan, diz para a Folha de São Paulo (só para assinantes) que o caos aéreo é a sua maior preocupação antes do início do evento.


Maior preocupação?!


Inexistência de transporte público, saúde e segurança no Rio de Janeiro são, para Nuzman, preocupações menores? Talvez ele nem se preocupe com isso.


Pega muito mal negligenciar dessa maneira os reais problemas do Rio. Ao dar essa declaração, mais uma vez os organizadores do Pan mostraram que estão ligando muito pouco para a rotina do carioca que não mora na Zona Sul, que tem que se virar para trabalhar e não tem escola para os filhos.


Há décadas eu sofro com o apagão viário e isso nunca foi notícia. Só começam a reclamar quando isso acontece com os aviões e a elite passa a sofrer nos aeroportos o mesmo que eu sofro todos os dias no ponto de ônibus.


Carlos Arthur Nuzman, cala a porra da tua boca.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

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O Rio de Janeiro fede como uma vila medieval. Também como em uma vila medieval, nosso vilarejo tem esgoto no meio da rua, sujeira acumulada, e muitas doenças.


Uma beleza!


Caso típico de negligência com saneamento básico. Nossos governos estadual e municipal, vivendo ainda o auge da Idade das Trevas, não devem nem sabe o que é isso.


Já estou acostumado. Sou obrigado a passar por pontos de extremo mau cheiro todos os dias para ir e voltar do trabalho. É essa a rotina do inferno onde não existe esgoto tratado e os canais recebem dejetos de todos os tipos e procedências.


Outro dia, com o único intuito de fazer um teste, voltei para casa pela Barra da Tijuca, como há muito não fazia, passando pela Ayrton Senna e a Vila do Pan. Queria saber se o fedor conhecido da área permanecia empestando a redondeza. Vi que tudo em volta dos prédios da Vila do Pan continua a feder muito. Não é surpresa. Basta ver o estado dos canais de Jacarepaguá para saber que eles não poderiam soltar outro cheiro que não o de merda misturada com produtos químicos. Cheguei em casa pensando como dormirão os saudáveis atletas. Umas semanas depois, esqueci o assunto.


Mas hoje vejo isso. É do Estadão.com.


Muito bom! Mau cheiro não dá pra esconder. A reportagem fala ainda de um plano de evacuação que, se necessário, faria a delegação dos Estados Unidos utilizar um dos fétidos canais. Isso sim seria bacana de se ver. Atletas chafurdando na merda que os cariocas sabem muito bem produzir, mas não tratar.


Na página Olho Verde (eu acho), achei essa foto. O texto da legenda é incrível! É só ler para ter idéia do que se respira pelo local.

Detalhe da Vila do Pan cortada pelo apodrecido Arroio Fundo, que recebe todo os esgoto in natura da área de Jacarepaguá. Sem qualquer tipo de vida que dependa de oxigênio, esse corpo d'água emana constantemente gás sulfídrico e metano, o que produz intenso mau cheiro na região.


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Criada primeira CPI dos Jogos Pan-Americanos


Manchete do Globo.


Pelo visto não sou o único a esperar muitas outras CPIs por aí. O pedido do vereador Stepan Nercessian já dá o tom do que encontraremos pela frente, nas futuras investigações que o Pan nos promete. Licitações estranhas, concessões suspeitas, bagunça nos verdadeiros interesses públicos poderão ser assuntos relacionados ao Pan nos noticiários esportivos a partir do próximo mês. A desculpa é sempre a mesma: ou corremos com as obras ou não sai Pan-Americano. Nessa pressa, procedimentos básicos de transparência são vergonhosamente ignorados. As perguntas surgem depois da lambança pronta, do bolo dividido, dando origem a uma penca de CPIs que só levantam indignação. Todo mundo já viu isso acontecer.


Mesmo não resolvendo nada, mesmo não coibindo a malvadeza, acho que os próximos meses serão bem movimentados e divertidos.


Veremos.