quinta-feira, 5 de abril de 2007

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Como o link é só para assinantes, fui obrigado a copiar e colar a matéria inteira. É da Folha de São Paulo de hoje. Isso não é muito bonito, eu sei. Mas o texto mostra tão bem algumas das minhas suspeitas e reclamações que não poderia simplesmente falar dele sem mostrar pra todo mundo. Negritos meus.

Pan-07 fica no alvo de Câmara e pode ganhar mais CPIs

Comissão investigará a partir do próximo mês concessão do Riocentro à iniciativa privada, mas vereadora diz que outras virão após encerramento de Jogos

FABIO GRIJÓ
ENVIADO ESPECIAL AO RIO


A Câmara Municipal do Rio analisa a abertura de novas CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) para averiguar os gastos da prefeitura no Pan. Até agora, está certa a investigação, a partir do próximo mês, da concessão do Riocentro à iniciativa privada.
"Demos uma trégua temporária para não atrapalhar o Pan. Qualquer marola, agora, poderia virar um tsunami", diz a vereadora Patrícia Amorim (PSDB), presidente da Comissão de Esportes da Câmara do Rio. "Mas, depois do Pan, outras CPIs virão."
A cidade investiu, até agora, R$ 1,206 bilhão no evento, um valor 405% maior que o previsto no dossiê de candidatura, em 2002 (R$ 239 milhões) para gastos da prefeitura.
O Pan sairia, há cinco anos, por R$ 409 milhões. O custo chegou a R$ 3,2 bilhões, um aumento de 684% bancado pelos governos federal, estadual e municipal. "O que está em jogo é verba pública. Muita coisa saiu sem licitação e isso é sabido por todos, às vezes até sem rubrica orçamentária", afirma Patrícia Amorim. ""Gostaria de saber qual o custo-benefício."
A vereadora cita o Estádio Olímpico João Havelange, no Engenho de Dentro (zona norte), como exemplo a ser investigado. O Engenhão tinha custo inicial de R$ 60 milhões, com previsão de ser inaugurado no fim de 2004. Ainda em obras, o estádio já consumiu R$ 350 milhões da prefeitura. Deve estar pronto no próximo mês. "O Engenhão me causa desconforto pelo valor tão alto", diz Patrícia Amorim, que foi nadadora.
Mesma opinião tem o vereador Stepan Nercessian (PPS), autor do requerimento que deu origem à CPI do Riocentro. "O que está pronto, como o Riocentro e a marina [da Glória], a prefeitura concedeu à iniciativa privada. O que não estava, o município se dispôs a construir, pagou do próprio bolso e nem sabe a quem entregar."
O Riocentro, segundo Nercessian, foi concedido à empresa francesa LG por 50 anos. A CPI pretende investigar o edital de concorrência.
A marina da Glória também foi repassada à iniciativa privada por 50 anos. A Empresa Brasileira de Terraplanagem e Engenharia venceu a licitação. Com a obra no local embargada pela Justiça, a concessão pode ser cancelada pela prefeitura.

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